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Blog do jjleandro
 


AINDA NÃO ERA A HORA

 

Havia dias que tentava fazer isso, mas sempre adiava. Seria agora. Sobre a mesa deixou a carta para Juliana. Ela tinha a chave, acharia o bilhete de despedida. Talvez entendesse seu gesto.

Em seguida desceria até a garagem do prédio. Seria lá sem bisbilhoteiros por perto. Estava acostumado à solidão e não reclamava. Morava sozinho e isso o tornara caprichoso ao rigor; nada fora do lugar. Antes de sair do apartamento, olhou uma vez mais a sala. As pequenas bromélias regadas, as violetas descansando próximas à janela. O perfume noturno das flores das orquídeas ainda muito forte no ambiente fechado.

Conferiu a carga e ajeitou o revólver no coldre sob a axila. Na vida de investigador de polícia acostumara-se a tal ponto com o volume da arma pregado ao corpo que já não o sentia mais. É tudo uma questão de hábito, refletiu. Não se acostumara à solidão? Era esse hábito que o fazia resistir às constantes investidas de casamento de Juliana.

Ela entenderia o seu gesto extremo?

Na garagem, um amplo salão iluminado, estava sozinho. Como previra. Quase nenhum carro. Às nove horas da manhã, os moradores estavam em sua maioria no trabalho. Estava livre e desimpedido para o que ia fazer. Sacou o revólver e apontou para o alvo. Pressionou o gatilho. Errara o alvo, droga! Seria por causa do silenciador? Não era acostumado a usá-lo na arma. Mas ali era indispensável para não atrair curiosos. Tinha muita munição, isso não era problema.

O celular tocou e ele interrompeu uma nova ação.

— Alô?

—Aqui é Dayse, secretária do delegado Alcides.

—Diga, Dayse!

—Ele avisa que o campeonato de tiro foi adiado para a semana que vem. Pede para o senhor confirmar presença no stand de tiro da Academia todas as tardes, a partir de hoje, para treinamento.

—Confirmado, então vou parar o treino de emergência na garagem.

—Obrigada.

Voltou às pressas para o apartamento, devia rasgar a carta para Juliana antes que ela aparecesse. Sentiu que ainda não estava pronto para o rompimento.  

 

 

jjLeandro



Escrito por jjleandro às 18h55
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